Dias de Luto

domingo, 18 de outubro de 2009

Calarei meus dedos durante um tempo. Isso porque perdi a melhor de todas as minhas amigas: a minha mochila.
Pode parecer babaca, mas tudo de bom e de ruim que vivi durante anos foi com esse utensílio onde sempre carreguei meus livros, bebidas, folhas amassadas, rascunhos, coisas que me faziam sorrir. Coisas tão simples que outrém poderia enxergá-los como insignificantes. Mas está doendo demais dentro de mim.

Foi ontem, por volta das 22h45, Jaçanã, Zona Norte da cidade de São Paulo, na capital. Estava voltando do cursinho, tinha ficado até um pouco mais tarde na Av. Paulista para conversar com alguns colegas e conhecidos meus. Foi então que, ao voltar para casa, fui surpreendido por um garoto de estatura baixa, quase uma criança, que puxou o meu braço de um lado, enquanto outro rapaz, alto e já de maior idade, lançou um soco em meu rosto no qual caí no chão e rasguei a calça. Tentei ainda pedir para que levassem tudo, menos o livro da Virginia Woolf que estava lendo, mas eles não me escutaram. Não estava me importando com o celular, ou com alguns trocados que tinha na carteira... Estava procupado com o meu passado! Eu conseguia ver os dois sairem correndo, antes de me darem alguns tapas e socos, levando a minha mochila. Ela parecia triste, sorrir com certa melancolia, como se despedisse para sempre de mim.

Sim, perdi tudo. Até grande parte de textos originais meus, alguns que eu nem tinha digitado ainda. E por isso não postarei, por enquanto, no meu blog "Verborragia Conveniente", exatamente por falta de textos.
Peço desculpas pelo vazio que deixarei aqui...
Mas sinto-me muito, muito triste com a partida da minha mochila.

Recomendação

domingo, 4 de outubro de 2009

Olá, pessoal!
Continuo mergulhado em um árduto trabalho em cima do meu livro. Ando lendo demais e escrevendo mais ainda, por isso, logo-logo sairá o meu livro, pessoal (creio que no final deste ano). Terá no máximo 200 pgs, e estou muito confiante de que irá agradar aos leitores.
Recomendo uma leitura, que está me ajudando bastante na construção da minha obra:

O livro "Breve Romance de Sonho" (Traumnovelle), de 1926, de autoria do austríaco Arthur Schnitzler, deve ser lido com bastante atenção. Os personagens exploram as próprias almas e desejos através de experiências eróticas nunca antes presenciadas. Com uma escrita leve e quase poética, Arthur afunda o leitor dentro dos desejos mais negros e deleitosos dos personagens, fazendo com que nós escavemos a nossa própria existência.
Fiquei supreso ao lê-lo, pois, foi adaptado para o cinema por ninguém menos do que Stanley Kubrick, tendo como elenco a diviníssima Nicole Kidman e Tom Cruise. O filme é "De Olhos Bem Fechados", o filme de despedida do diretor, que explora o erotismo pela segunda vez, antes explorado em "Lolita".
O filme é ótimo. O livro também. Recomendo ler o livro primeiro. E depois o filme. Mas a essência está ali, nos dois, mais forte do que nunca.

O vazio da casa E o vazio de nós mesmos

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

É engraçado olharmos para trás. Mas muito atrás, além das nossas costas. Olhar para o passado. Infância.


Quando crianças, achamos a melhor coisa do mundo ficarmos sozinhos em casa.
Quando a família viaja, ou sai para fazer as compras do mês, ficava olhando pela fresta da janela o carro sair da garagem, e então, olhava para a sala vazia, e um sentimento de alegria brotava quase que automaticamente. Não pelo fato da família ser rígida e severa, chata, mas pelo fato da casa estar plenamente desponível para mim. E para os meus anseios.

Não creio que somente eu já tenha passado por isso. O fato da casa estar vazia, e você sentir-se bem em fazer o que não faria, em hipótese alguma, com seus pais do lado. Acender um cigarro escondido, tomar banho por horas e horas a olhar para o teto, dançar pelado em frente ao espelho, pular no sofá e lançar gritinhos de alegria, bebericar aquele vinho barato na geladeira, experimentar o novo, o desejável.

E quando a família volta, sente-se uma tristeza, as vozes na cozinha, o barulho das sacolas plásticas das compras, e você toma novamente aquela atitude de bom filho, quase que com fingimento. Trocamos aquela máscara por outra, pois é necessário termos máscaras em nossas vidas. Não ser falso, ser multifacetado.

Mas quando você tem sua casa própria, arca com as responsabilidades das contas de água, luz e telefone, toda aquela magia se extingue, e então, já não mais há sentindo em fumar seu cigarro no banheiro temendo o cheiro que ficava impregnado nas paredes, não mais temendo uma possível bebedeira reprovada pelos pais, não possuí mais aquele sentimento de aventura quando ficava nu e dançava com a música no último volume, como se o mundo não existisse. Tudo se torna possível, e o possível... Bem, o possível não tem graça.


(ouvindo Slint. Me dá coragem, me dá loucura, me dá um presente que nunca receberei no Natal).

 
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